Física,Química,Matemática(Atividades para os Alunos)

terça-feira, 14 de julho de 2020

O filho é meu: Egito quer artefatos do país espalhados pelo mundo



Rodrigo Cavalcante
Egito pede emprestados seus tesouros arqueológicos.
O governo egípcio pediu a importantes museus que emprestassem alguns dos mais preciosos artefatos da história do país, como a Pedra da Roseta, exposta no Museu Britânico, em Londres, e o busto de Nefertiti, hoje em Berlim. As peças foram parar lá há pelo menos um século, após serem encontradas por estrangeiros.
O pedido faz parte do desejo do país de expor essas obras – que são originalmente suas – em 2011, na abertura do Museu Egípcio, próximo às pirâmides de Gizé. Por enquanto, o pedido não teve sucesso: os alemães já disseram que não emprestam e o Museu Britânico promete estudar a questão, embora já tenha declarado que a ausência da peça “iria desapontar” seus mais de 5 milhões de visitantes anuais.

Aventuras na História n° 046

Frederick Wertham: O inimigo da HQ


Álvaro Oppermann
Psiquiatra americano conseguiu fazer o governo censurar gibis por subversão.
Heróis de quadrinhos nunca estiveram em melhor forma. E Homem-Aranha 3, que tem como expectativa a arrecadação de 800 milhões de dólares, pode provar. Fica difícil imaginar que, há 60 anos, uma gigantesca campanha de difamação quase tenha destruído a indústria americana dos gibis. O mais surpreendente é que ela foi toda criação de um único homem, o obscuro psiquiatra do sistema judiciário de Nova York Frederick Wertham.
Os gibis surgiram em 1935, embora as tiras já fossem publicadas em jornais desde 1896. Wertham, nascido na Alemanha em 1895, criou uma histeria inédita contra eles. Na edição de 29 de maio de 1947 do semanário Saturday Review of Literature, escreveu um artigo explosivo sobre eles, acusando-os de serem “violentos e carregados de perversões sexuais”. Seu argumento: 90% dos menores delinqüentes em Nova York liam gibis; logo, eles eram responsáveis pela criminalidade. O artigo teve o efeito devastador da kriptonita sobre o Super-Homem.
Em 1948, Wertham lotou um ginásio com a palestra “A Psicopatologia das Histórias em Quadrinhos”. No fim do ano, a revista Time noticiava uma queima de revistinhas em algumas cidades. Os alvos prediletos do psiquiatra eram Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman. Wertham, aliás, foi o primeiro a falar que o homem-morcego era gay. E motivou a criação do mordomo Alfred – para colocar ordem na casa de Bruce Wayne.
Em 1954, o psiquiatra escreveu sua obra mais conhecida, A Sedução dos Inocentes. Mais uma paulada nos quadrinhos. Dessa vez, chamou a atenção até do Congresso americano, que pressionou as editoras a criarem um código de ética, o Comics Code Act. Ele caiu em desuso só em 1971, por causa da pressão corajosa de Stan Lee – criador do Homem-Aranha.
Wertham, contudo, não se importou nem um pouco com isso. Em 1973, deixou todos estupefatos declarando-se fã da arte pop que antes demonizara. Chegou a escrever um livro com elogios aos gibis, O Mundo dos Fanzines: Uma Forma Especial de Comunicação, de 1974. Quando morreu, em 1981, Wertham tinha se tornado leitor, mesmo que esporádico, de Batman e Homem-Aranha. Uma virada que nem nos quadrinhos acontece.

Conto de fada sai do armário
Na Inglaterra, livros escolares têm personagens gays.
Desde a cruzada antiquadrinhos do doutor Wertham não se via uma polêmica tão grande envolvendo o conteúdo de histórias infantis. Um projeto-piloto da Inglaterra iniciou em março deste ano a utilização de livros com temática e personagens gays em escolas para crianças entre 4 e 11 anos. O projeto – iniciativa das universidades inglesas Sunderland e Exeter – foi chamado de “No Outsiders” (algo como “sem excluídos”) e foi adotado por 14 escolas primárias. Os livros contam histórias como a de Spacegirl, uma menina de 6 anos criada por duas mães, ou de Roy e Silo, dois pinguins gays do zoológico de Nova York. Até 2003, tais iniciativas eram proibidas por lei lá. “Minha experiência com a literatura infantil mostra que ela é extremamente poderosa na formação de valores sociais e no desenvolvimento emocional. Esses livros refletem a realidade e a diversidade”, disse Elisabeth Atkinson, diretora do No Outsiders,  ao periódico The Observer. Apesar de angariar críticas na mídia conservadora e de instituições religiosas como o Christian Institute, o projeto tem sido visto, em geral, com bons olhos.

Aventuras na História n° 046

Stratford-upon-Avon: a cidade de Shakespeare


Rafael Maranhão
Stratford-upon-Avon preserva boa parte da vida do escritor.
Cidades intituladas “museus a céu aberto” não faltam mundo afora. No caso de Stratford, esse título se deve a seu morador mais ilustre: William Shakespeare. O maior escritor da língua inglesa nasceu nessa pequena localidade às margens do rio Avon, em 1564, e ali morou até ter pouco mais de 20 anos, voltando somente em 1613, três anos antes de sua morte. O tempo vivido em Stratford foi suficiente para marcar profundamente o lugar, que atrai, hoje, 1 milhão de turistas por ano.
Apesar de a cidade respirar Shakespeare, ainda existem muitas dúvidas a respeito da aparência do dramaturgo. A imagem do escritor na igreja da Divina Trindade, onde ele foi enterrado, é talvez a que mais se aproxime da sua fisionomia verdadeira, já que não há certeza de que alguém que o conhecera pessoalmente tenha pintado seu rosto. Aliás, o filho mais famoso de Stratford não teve a honra de ser sepultado na igreja da cidade por ser um gênio da literatura. Ele só está ali porque contribuiu com a fortuna de 440 libras (para se ter uma idéia, o escritor comprou sua primeira casa na cidade por 60 libras) para contratar um padre e ajudar a manter a paróquia. Outro detalhe que ainda ninguém comprovou é que Shakespeare teria nascido e morrido na mesma data, 23 de abril, dia de São Jorge, padroeiro da Inglaterra.

1. Shakespeare apaixonado
A casa da família de Anne Hathaway fica a menos de 2 quilômetros do centro de Stratford. Foi lá que a mulher do escritor cresceu e onde ela teria sido cortejada pelo jovem William. A cama de carvalho é original da época e os jardins da casa abrigam esculturas de artistas baseadas em peças de Shakespeare.

2. Sítio de mamãe
A mãe de Shakespeare, Mary Arden, era a mais nova das oito filhas de um fazendeiro local e cresceu neste sítio afastado do centro. A Casa de Mary Arden tem algumas atrações para crianças, como uma mini fazenda e exibições sobre a vida no campo na época em que ela vivia lá.

3. Casa de papai
A casa onde Shakespeare nasceu, bem no centro da cidade, foi comprada por seu pai, o fabricante de luvas John Shakespeare, em 1556. Há indícios de que o escritor também tenha morado ali logo após se casar com Anne Hathaway, em 1582. A casa pertenceu à sua família até 1806.

4. Realeza dramática
O teatro Royal Shakespeare é um dosmais importantes palcos do Reino Unido.O espaço foi aberto em 1932 e fechou as portas no fim de abril deste ano para dar início a uma reforma que pretende restaurar os elementos art déco da época da fundação. Ele deve ser reinaugurado em 2010.

5. Cisne no rio
O Teatro Swan, às margens do Avon, abriu as portas em 1986, no mesmo prédio neogótico do antigo teatro Shakespeare Memorial, destruído em um incêndio em 1926. O Swan (“cisne”, em inglês) foi criado para ser uma versão coberta de um típico palco do teatro elizabetano (que era a céu aberto), como os da época em que Shakespeare chegou a Londres, no século 16.

6. Teatro do pátio
Construído em apenas 11 meses e inaugurado no ano passado, o teatro Courtyard comporta 1000 espectadores. Ele fica próximo ao Other Place,o menor dos palcos da Royal Shakespeare Company na cidade, e estreou coma montagem de Henrique VI, como parte do festival que contou com apresentações de toda a obra do dramaturgo.

7. Seguro na lápide
A igreja da Divina Trindade,onde Shakespeare foi batizado e enterrado, começou a ser construída em 1210. Diz a lenda que ele temia que seus restos tivessem que ser removidos para vagar a tumba.Por isso, mandou escrever um epitáfio em que pedia bênção aos protetores de sua tumba e amaldiçoava os que movessem seus ossos.

8. Doutor Hall
Hall’s Croft era a casa da filha mais velha de Shakespeare, Susanna, e de seu marido, o médico John Hall. Construída em 1613, ela guarda instrumentos usados por médicos na época. Nos jardins, várias espécies de ervas medicinais mencionadas por Hall em suas anotações.

9. Decoração de neta
Adquirida por sir Thomas Nash – rico proprietário de imóveis da cidade e casado com a neta de Shakespeare, Elisabeth –,a Casa de Nash preserva, no jardim,as ruínas da New Place, onde o dramaturgo viveu até o dia de sua morte. A mobíliade Nash é considerada um bom indicativo de como era a decoração da New Place.

10. Arruinada
Ainda em Londres, Shakespeare comprou a New Place, casa que seria destruída por um futuro dono. Em 1759, enfurecido com os impostos, o novo proprietário, Francis Gastrell, deixou New Place em ruínas. Ele foi enxotado da cidade, assim como todos aqueles que tinham seu sobrenome.