Física,Química,Matemática(Atividades para os Alunos)

terça-feira, 30 de junho de 2020

O barco Beagle de Darwin



Bruno Vieira Feijó
A bordo dele, naturalista fez a viagem que o ajudou a criar sua teoria da seleção natural.
Ele foi apenas mais um de uma série de outros 107 navios construídos pela Marinha Real inglesa para fortalecer suas esquadras de guerra. Mas o HMS Beagle entrou para a história por alojar durante cinco anos um hóspede ilustre: Charles Darwin. Foi a bordo de uma minúscula cabine do Beagle, entre 1831 e 1836, que o então recém-formado biólogo escreveu as observações sobre bichos e plantas que mais tarde dariam origem à teoria da seleção natural das espécies.
A viagem da qual Darwin participou – e que, segundo ele, foi a mais importante de sua vida – foi a segunda de três expedições conduzidas pelo HMS Beagle. As viagens serviram para atualizar mapas litorâneos de locais como América do Sul, Oceania, África e Austrália.
Em 1845, dois anos após a última expedição, já sem condições de navegação, o Beagle foi repassado  à guarda costeira britânica, que o usou como entreposto militar no rio Roach, no condado de Essex (sudeste da Inglaterra). O objetivo era fiscalizar o contrabando de produtos na região, principalmente conhaque e tabaco. Enquanto serviu de entreposto militar, os guardas moravam a bordo com suas famílias. Isso incomodava os pescadores de ostras – para eles, a embarcação, que ficava no meio do canal, dificultava a navegação. O posto, então, foi transferido para a margem em 1850 e permaneceu ancorado próximo à vila de Paglesham até 1870, quando o Beagle foi leiloado como sucata para comerciantes locais.
A partir daí, o rastro dele se perdeu por mais de um século. Até que, no ano 2000, Robert Prescott, um dos mais prestigiados arqueólogos marinhos do mundo, anunciou ter encontrado madeiras e cerâmicas provavelmente da famosa embarcação – elas foram achadas sob 5 metros de lodo num pântano, perto da ilha de Potton. Em 2004, usando técnicas aplicadas na exploração da superfície de Marte, encontrou uma âncora que acredita ser do Beagle. Mas a pesquisa de Prescott teve de ser interrompida por falta de verba.

Aventuras na História n° 046

O corpo feminino ideal



Adriana Marmo
Critério de beleza já mudou muito.

Na Pré-História, mulheres com seios fartos e ancas bem definidas eram as prediletas dos homens. Suas formas mostravam que eram bem alimentadas e capazes de gerar filhos sadios. Mas o conceito de beleza foi fundamentado muito depois, com os gregos. Para eles, belo era tudo o que equilibrava proporção e simetria. A forma ideal do corpo feminino, porém, mudou muito de lá para cá.
Século 8

Barriga, sim!
Quanto mais barriguda, mais bonita. Valia até colocar enchimento sob a roupa para aumentar a região. Numa época em que a Igreja exercia enorme poder, o ventre saliente estava relacionado à gravidez imaculada da Virgem Maria.

Século 15
Gordinha sexy

No Renascimento, as gordinhas eram as mais belas. A opulência, sinônimo de saúde, virou moda depois de a peste negra ter eliminado quase dois terços da população européia no fim da Idade Média.
Século 17

Cintura de pilão
A partir do Barroco, o ideal de beleza feminina foi exigindo formas frágeis. A cintura, o maior objeto de desejo, foi afinando cada vez mais à custa de espartilho e até de cirurgia para remoção da última costela. No fim do século 19, o corpo perfeito tinha cintura de 40 cm.

Nos 20
Peito achatado

A emancipação feminina pôs fim aos espartilhos. O belo eram as silhuetas cilíndricas – cintura, seios e quadris parecidos nas medidas. As mulheres enrolavam faixas sob a roupa para achatar seios e quadris.
Anos 40

Mulher  macho
A Segunda Guerra Mundial exigiu a força do trabalho feminino e o ideal de beleza se adaptou: passou a compreender formas mais masculinizadas. Entram em voga ombros largos, como os que  tinha a atriz Joan Crawford.

1947
Forma voluptuosa

O lançamento da coleção do estilista Christian Dior em 1947 é uma espécie de celebração à vida depois dos horrores da guerra. A cintura afina e as formas são como as de Marilyn Monroe.
Anos 60

Muito magra
A magreza da modelo Twiggy e seus traços de boneca tornam-se as características mais desejadas pelas mulheres. Começa aqui o sonho de ser eternamente jovem. Com o movimento hippie, também passa a ser moda ter um corpo sem curvas e com os seios pequenos.

Anos 80
Corpo sarado

A simbologia do corpo musculoso, como o de Madonna, é ela poder enfrentar os homens no mercado de trabalho e defender-se da violência. Os homens querem músculos torneados para espantar o fantasma da aids, que deixava os soropositivos muito magros.
Fim dos anos 80

Tipo top model
As modelos Linda Evangelista, Cindy Crawford, Claudia Schiffer e, no Brasil, Luiza Brunet trazem de volta o padrão de beleza clássico. Além de belas, a aparência do corpo é saudável – e elas têm curvas.

Anos 90 e 2000
Anorexia e silicone

A modelo Kate Moss surge com a aparência heroína- chic e determina que todas sejam absolutamente magras. A anorexia cresce entre as adolescentes. Mas as mulheres querem seios grandes, conseguidos com silicone. O padrão atual é Gisele Bündchen.
Aventuras na História n° 046

O pioneiro Anchieta



Maria Fernanda Ziegler
Beato foi o primeiro europeu a explorar o poder curativo das ervas brasileiras.
O padre José de Anchieta, morto há 410 anos, foi o introdutor do teatro em terras brasileiras. E também o primeiro a escrever uma gramática em língua tupi. Além disso, fez nascer o cateretê, o embrião da música popular brasileira, ao misturar poemas religiosos com a música indígena. Mas suas ações pioneiras não se restringiram às artes. Anchieta também se aventurou pela biologia.
Cobiçadas hoje por cientistas e laboratórios no mundo inteiro, as plantas brasileiras despertaram sua atenção no século 16. Os jesuítas perceberam que a medicina poderia ajudá-los a se infiltrar na cultura tupi-guarani. “De início, os remédios vinham do reino, mas logo os padres foram conhecendo as substâncias utilizadas pelos indígenas”, diz a historiadora Maria Aparecida Lomonaco. “José de Anchieta é o nome-símbolo das artes médicas no Brasil do século 16.”
Anchieta e outros oito padres chegaram ao Brasil em 1553, com o segundo governador-geral do país, Duarte da Costa. No livro Os Jesuítas, o historiador inglês Jonathan Wright afirma que a Companhia de Jesus foi a primeira ordem da Igreja Católica que teve intenção ativa – e não apenas contemplativa. Eram os tempos da contra- reforma católica e os jesuítas tinham a missão de expandir o catolicismo nas novas terras descobertas na América.
Por aqui, esbarraram na figura do pajé – que tinha, entre suas incumbências, a de curar as enfermidades nas tribos. Os padres depararam com fórmulas e métodos diferentes para a cura. E assim Anchieta foi aprendendo, por exemplo, que o maracujá era indicado para baixar a febre. Ou que o guaraná curava a disenteria. E passou a usar essas plantas também.
Para os tupis-guaranis, as doenças eram provocadas por espíritos maus. A terapêutica indígena consistia na mescla de religiosidade com a aplicação de substâncias da flora local. E foi exatamente essa falta de conhecimento científico dos nativos um dos trunfos dos jesuítas para a conquista da população indígena.
Nos tempos do descobrimento, doenças terminais eram muito raras entre os índios. Caso isso acontecesse, o doente era desenganado pelo pajé e abandonado pelo grupo. Nesses casos, os jesuítas utilizavam os conhecimentos médicos aprendidos na metrópole – e, além da cura do doente, obtinham sucesso no processo de evangelização. Para Maria Aparecida, a assistência médica, ainda que prestada no âmbito da caridade cristã, foi uma arma poderosa na catequese. “Era a forma mais eficiente de promover o descrédito dos pajés.”

Farmácia natural
Veja o que Anchieta e os jesuítas aprenderam com os índios.
• Para inflamação nos olhos ou conjuntivite, os pajés empregavam o suco de piná-piná (ou cansanção).
• A andiroba tinha propriedade cicatrizante e era usada nos ferimentos por flechadas.
• Para ulcerações, ferimentos e dermatoses, eram empregados copaíba, capeba ou pariparoba, maçaranduba, cabriúva e caroba.
• Jurubeba, quinheira brasileira e maracujá eram indicados contra febre.
• O caju, o ananás e o jaborandi serviam de diuréticos.
• O guaraná era purgativo e tratava disenteria.
• O pentume ou tabaco era usado para curar problemas respiratórios.

Aventuras na História n° 046